1 SEGUNDO

 Foram tantas coisas que aconteceram nos últimos anos que nem caberiam num livro, seriam necessários 6 volumes, 1 para cada ano desde 2016

coloco assim meio aleatória a data porque acho que foi ali que as coisas se alteraram e tudo veio se embolando e subindo morro junto com caindo ladeira abaixo ao mesmo tempo.

eu não sei exatamente onde o moinho começou a girar, mas é bem possível que tenha sido no dia do meu nascimento... sim, assim desse jeito mesmo, do nada eu estreei num hospital branco e frio ,e olhando com o mesmo espanto com o qual olhei para ele

pronto.....já estava ali a deguingrolação mas a gente nunca vê os sinais mesmo. enfim...

em uma frase eu diria que nunca foi uma linha reta, foi tudo meio de repente, na surpresa e elas eram dias melhores, outros nem tanto e pos aí, corta pra vida adulta.... ali estou, jovem, mãe de um menino lindo, todo bem feitinho, parecia desenhado, o nome dele é Roberto(razão da minha vida). A meta era criar o menininho dos olhos de chocolate, trabalhar, terminar o maldito 2 grau e correr atrás de dinheiro. ah...........eu suprimi a frase, quase um ditado diário na minha cabeça que vivia entupida das frases da minha mãe e avó e quase todo ser que se mexesse ao meu lado: Não fazer cagada.   Até que não parecia muito, mas era

quem aos 22 anos tem condição de gerir uma vida como se já tivesse vivido 89 anos? era inclusive inimaginável o que deveria ser feito, mas o que não deveria...isso sim eu sabia, diariamente

levava como dava, ou seja, eu ia levando; 

até que eu me esforçava pra fazer tudo certo mesmo nem sabendo o que era certo ao certo, recortando alguns vários apuros eu posso dizer que 90% de tudo acabava bem e os outros 10% deixa pra lá.

Basicamente eu me dediquei resolver problemas, e isso não foi exatamente uma escolha, e trabalhar+ficar de olho no Roberto+ser o arrimo da minha família (entenda-se quase um guru)+me divertir+ouvir e aguentar coisas que honestamente até hoje não fazem o menor sentido

Então neste ponto do texto que começa um looping modorrento de chato que abrange trabalhar muito, ter um salário ridículo de baixo mediante as responsabilidades que eu assumia a cada rádio que eu entrava; procurar mais uma vez e mais uma vez e mais uma vez finalmente encontrar o amor da minha vida sair da casa da minha mãe com uma figura paterna pro meu filho....dali pra frente era pra ser um comercial de tv mas não. pois é... não foi e depois não foi de novo e assim por diante sucessivamente

ah..teve um monte de coisa legal no meio e as melhores em sua maioria vieram do relacionamento estreito meu e do meu filho(agora já adolescente  e meu  BFF = Best Friend Forever) e dos shows e rolês e viagens...porque eu vou te falar o seguinte se a criatura não bate o pé e finca um hiato pra aproveitar a vida pode acreditar que as pessoas não terão a menor vergonha na cara de sugar o vivente 24 horas por dia

tá...mas acelerando um pouco o tempo passam 58 natais com família e uma mesa tão farta quanto as saias justas que costumam se repetir ano após ano, 11 meses de trabalho no meio da alegria e realização de fazer com afinco aquilo para o quê nasci, nasci, andar pra lá e pra cá com o Roberto colado em mim(ele já tá bem grande agora, é adolescente) mais uns fiascos nas minhas escolhas amorosas, muito boleto, uma pá de encheção de saco, aquele convívio bosta com puxa saco do patrão, muita muita muita festa/rave/show e chegamos em 2016

não...péra. volta 3 anos

era dia 12 de Setembro de 2013 as 18:00 quando nasceu a explicação da minha vida, ele tinha 2 kilos e o rosto mais belo que o Senhor do tempo fez em toda a eternidade. quando me aproximei da encubadora na UTI e ali olhando pra aquela pessoinha tão pequena(media um palmo e meio) eu tomei um susto junto com a emoção mais forte de nunca antes e pensei: Meu Deus que saudades eu estava de você, por quê você demorou tanto? então minha vida mudou irremediavelmente

agora volta p 2016.  era mais uma tarde de trabalho treinando uma locutora(Ily) e nesta tarde eu passei o tempo todo olhando pra fora do estúdio pela janela, olhado pro nada. Por fora eu parecia uma calmaria de praia sem onda, mas por dentro eu estava assistindo os meus últimos 10 anos e meio de vida naquela empresa, os 4 últimos anos que passei pedindo/esperando/não tendo um aumento salarial que a minha coleguinha que eu mesma coloquei na rádio teve em segredo, e a ironia de performar alto na audiência e aturar falta de respeito, de ter reconhecimento público e não dos meus chefes, de viver numa queda de braço que eu botei um ponto final no fim do meu horário

A rádio estava vazia, já era tarde e eu fiquei quieta no estúdio. abri minha gaveta e fui tirando tudo que tinha lá, algumas coisas eu botei numa sacola de plástico, outras eu joguei lá fora na lata de lixo e limpei toda a gaveta como se ela nunca tivesse sido usada. só então eu tirei uma foto dela e disse a mim mesma: acabou por aqui

acabou aquilo, mas daí meu amigo....começou todo um rebú sem precedentes que eu orquestrei em silêncio na minha cabeça contando cada passo que eu ia dar. foi um show espetacular promovido por uma pessoa que tinha sido levada ao limite, porémmmmmmmmmmmmmm também levou uma galera ao desespero

O resto eu conto em outro post porque agora eu tô com sono porque hoje acordei as 6 da manhã




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